segunda-feira, 25 de abril de 2011

Tópicos Auxiliares

117. O sentido espiritual. Graças à unidade do projeto de Deus, não somente o texto da Escritura (1101), mas também as realidades e os acontecimentos de que ele fala, podem ser sinais.
  1. O sentido alegórico. Podemos adquirir uma compreensão mais profunda dos acontecimentos reconhecendo a significação deles em Cristo; assim, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória de Cristo, e também do Batismo (Cf. 1Cor 10,2).
  2. O sentido moral. Os acontecimentos relatados na Escritura devem conduzir-nos a um justo agir. Eles foram escritos "para nossa instrução" (1Cor 10,11). (Cf Hb 3-4,11)
  3. O sentido anagógico. Podemos ver realidades e acontecimentos em sua significação eterna, conduzindo-nos (em grego: "anagogé"; pronuncia-se "anagogué") à nossa Pátria. Assim, a Igreja na terra é sinal da Jerusalém celeste (Cf Ap 21,1-22,5).
281. É por isso que as leituras da Vigília Pascal, celebração da criação nova em Cristo, começam pelo relato da criação (1095); da mesma forma, na liturgia bizantina, o relato da criação constitui sempre a primeira leitura das vigílias das grandes festas do Senhor. Segundo o testemunho dos antigos, a instrução dos catecúmenos para o batismo segue o mesmo caminho.

519. Toda a riqueza de Cristo “é destinada a cada homem e constitui o bem de cada um” (793,602). Cristo não viveu sua vida para si mesmo, mas para nós, desde sua Encarnação “por nós, homens, e por nossa salvação” até sua Morte “por nossos pecados” (1Cor 15,3) e sua Ressurreição “para nossa justificação” (Rm 4,25). Ainda agora, Ele é “nosso advogado junto do Pai” (1Jo 2,1), “estando sempre vivo para interceder a nosso favor” (Hb 7,25). Com tudo o que viveu e sofreu por nós uma vez por todas, Ele permanece presente para sempre “diante da face de Deus a nosso favor” (Hb 9,24). (1085)

A Quaresma

540. A tentação de Jesus (2119) manifesta a maneira que o Filho de Deus tem de ser Messias - o oposto da que Lhe propõe Satanás (519, 2849) e que os homens (Cf. Mt 16,21-23) desejam atribuir-Lhe. É por isso que Cristo venceu o Tentador, por nós: "Pois não temos um sumo-sacerdote incapaz de compadecer-se de nossas fraquezas, pois Ele mesmo foi provado em tudo como nós, com excepção do pecado" (Heb 4, 15). A Igreja se une a cada ano, mediante os quarenta dias da Grande Quaresma (1438)ao mistério de Jesus no deserto.

1095. É por isso que a Igreja, particularmente no advento, na quaresma e sobretudo na noite de Páscoa (281) relê e revive todos esses grandes acontecimentos da história da salvação no "hoje" de sua liturgia. Mas isso exige também que a catequese ajude os fiéis a se abrirem a esta compreensão "espiritual" (117) da economia da salvação, tal como a liturgia da Igreja a manifesta e no-la faz viver.

1438. Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da quaresma (540), cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja (426). Esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras de caridade e missionárias).

2119. A ação de tentar a Deus consiste em pôr à prova, em palavras ou em atos, sua bondade e sua onipotência (394). Foi assim que Satanás quis conseguir que Jesus se atirasse do alto do templo e obrigasse Deus, desse modo, a agir (Cf. Lc 4,9). Jesus opõe-lhe a Palavra de Deus: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Dt 6,16). O desafio contido em tal “tentação de Deus” falta com o respeito e a confiança que devemos a nosso Criador e Senhor (2088). Inclui sempre uma dúvida a respeito de seu amor, sua providência e seu poder.(Cf. 1Cor 10,9; Ex 17,2-7; Sl 95,9)

2849. Ora, tal combate e tal vitória não são possíveis senão na oração. Foi por sua oração que Jesus venceu o Tentador, desde o começo (Cf. Mt 4,1-11) e no último combate de sua agonia (Cf. Mt 26,36-44). É a seu combate e à sua agonia (540,612) que Cristo nos une neste pedido a nosso Pai (2612). A vigilância do coração é lembrada com insistência (Cf. Mc 13,9.23.33-37; 14,38; Lc 12,35-40) em comunhão com a de Cristo. A vigilância consiste em “guardar o coração”, e Jesus pede ao Pai que “nos guarde em seu nome” (Cf. Jo 17,11). O Espírito Santo procura manter-nos sempre alerta para essa vigilância (Cf. 1Cor 16,13; Cl 4,2; 1Ts 5,6; 1Pd 5,8). Esse pedido adquire todo seu sentido dramático no contexto da tentação final de nosso combate na terra; pede a perseverança final.“Eis que venho como um ladrão: feliz aquele que vigia!” (Ap 16,15).